terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Nobel de Obama
Nobel da Paz para Barack Obama é preventivo dizem revistas

Revista Veja diz que Obama merecia o NãoBel e critica ao máximo organização do prêmio norueguês. Istoé assume linha blasé, e só oferece recorte de informações.




Veja
Mil motivos para Obama não ter ganho o Nobel


O título “O Prêmio Preventivo” já denota a linha de condução que o veículo dará à notícia. Na linha fina temos o seguinte dizer “Barack Obama é o terceiro presidente americano a ganhar o Nobel da Paz durante o mandato. A diferença é que, desta vez, ele não foi homenageado pelo que fez, mas pelo que se quer impedir que ele venha a fazer”. A revista desmerece o presidente dos EUA e tira dele o mérito de ganhador do prêmio Nobel da Paz. Muito categóricos, afirmam assumidamente que Obama foi bajulado para mais tarde ficar sem graça de cometer ações que desprestigiem o título que levou. Segundo eles, o prêmio se mostra como medida preventiva e não como mérito. São tantas as frases que deixam explícita a insatisfação da Veja com a premiação do Nobel da paz, que eu poderia fazer uma lista. Então aí vai:
  1. Que política? Que atitude? Fora o descomunal carisma, a voz agradável, os discursos elegantes e o sorriso permanente, Obama não fez nada nesses seus nove meses de governo para merecer o prêmio.
  2. Falar em um mundo sem armas atômicas ou aliviar uma tensão sem conseqüências com a Rússia, cancelando a instalação de mísseis na Polônia, não lhe dá assim o perfil de um Mahatma Gandhi - que, aliás, apesar das inúmeras indicações, nunca ganhou o Nobel da Paz.
  3. O mais adequado talvez fosse ter dado a Obama o “Nãobel da Paz”, um prêmio pela inação.
Um bom título para essa matéria seria: Mil motivos para o Obama não ter ganho o Nobel. Os leitores não necessitam de críticas tão especializadas e esmiuçadas para entender o que se passa. A inteligência humana foi subjugada. Exponham os motivos e que os leitores decidam se a premiação foi justa ou não. Jornalismo deve dar um conteúdo democrático e permitir as pessoas interpretar o fato. No entanto, nesta matéria o caso foi analisado, interpretado, julgado e condenado. Não encontrei uma parte se quer que desse informações relevantes e de interesse público sobre o dia em que aconteceu a premiação, a banca julgadora, quais os critérios de avaliação. A revista tão preocupa em dar seu veredito sobre o caso, esqueceu de contextualizar o evento. Até o uso de imagens teve a intenção de emplacar nas pessoas o sentimento de revolta por parte da Veja. Atente à legenda das fotos. “Theodore Rooselvelt e Woodrow Wilson, presidentes laureados com o Nobel: o primeiro mediu o fim de uma guerra: o outro criou a Liga das Nações”. E o terceiro? Não fez nada. A última oração não se faz necessária, visto que a intenção ficou clara. Faltou conteúdo, cadê a essência? Queremos informação e não opinião, afinal este não era um artigo. E para finalizar e mostrar que a reportagem foi superficial, dentre as analisadas foi a que a menos dedicou páginas para escrever o conteúdo, para ser mais específica, apenas uma.

 Istoé
Revista não se posiciona no episódio
 
Apesar de ter sido um pouco superficial ao retratar o tema, a revista não emitiu o seu juízo de valores, que sinceramente não nos interessa nem um pouco, pois cada um tem o seu. Percebo a preocupação em encontrar o máximo de pessoas importantes ligadas ao assunto para dar suas declaração. O próprio presidente Barack Obama teve sua participação, “Eu estou surpreso e honrado com a decisão. Não sinto que eu mereça estar em companhia de tantas figuras notáveis que já ganharam esse prêmio, pessoas que inspiraram muita gente no mundo até a mim mesmo”. Obrigada por realmente colocar a opinião de alguém que nos interessa. “Até agora ele só fez propostas”, reagiu o ex-presidente polonês Lech Walesa, vencedor em 1983. Que sutileza, que esperteza da Istoé. Disse tudo o que a Veja falou sem na realidade precisar falar nada, sem se comprometer e se expor. As declarações partiram das fontes consultas o que forneceu credibilidade e noção das opinião que fazem algum sentido dentro do contexto da premiação. Ela conseguiu levantar uma questão até então pouco explorada pelos veículos, a surpresa do Presidente e todos com o Nobel deste ano, o porquê de tanta correria. E levantou a possibilidade de que o Obama tenha sido premiado para motivá-lo e encorajá-lo daqui para frente. A revista se mostra astuta e funcional ao agregar um intuito na apresentação dessa matéria, além da obrigação da revista que é informar. A Istoé impulsiona, motiva e cobra uma atitude que honre o título do Nobel da Paz para Barack Obama, sem se importar com o merecimento ou não, mas sim com a atitude positiva que essa ação pode acarretar. Encerram com uma frase incrível: “O mundo espera que Obama tenha realmente despertado para a responsabilidade que o Nobel oferece.

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